NAVEGUE

  • Início da exposição

Introdução

  • A Redemocratização no tempo: Brasil & Espanha
  • Importância da democracia espanhola para a redemocratização brasileira

Leia ou escute os capítulos

  • 01 Das ideias à ação: formação intelectual e caminhos para a política
  • 02 O intelectual em movimento: da teoria à militância
  • 03 De suplente a protagonista: a trajetória política inicial
  • 04 Liderança e construção partidária
  • 05 Chegada ao poder e reformas estruturais
  • 06 Globalização e cooperação internacional
  • 07 Legado e atuação pós-mandato
  • 08 Reflexões sobre o futuro da democracia

No tempo

  • A Redemocratização no tempo: Brasil & Espanha

Biografias conheça os líderes

  • Fernando Henrique Cardoso
  • Felipe González
  • Ficha Técnica

Trajetória da Redemocratização do Brasil e Espanha

A redemocratização na Espanha e no Brasil percorreu trajetórias distintas e particulares, mas enfrentou em comum os mais importantes desafios: confrontar os legados autoritários, reorganizar as forças de oposição, mobilizar a população e construir novos pactos institucionais.
As linhas do tempo objetivam destacar os marcos dos processos históricos que transformaram profundamente ambos os países e evidenciam como as trajetórias de Fernando Henrique Cardoso e Felipe González ajustaram seu foco na consolidação democrática.

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  • Ditadura
  • Declínio
  • Oposição
  • Avanços institucionais
  • Mobilização popular
  • Consolidação democrática

Ditaduras, repressão e resistência

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Brasil Trajetória da Redemocratização do Brasil e Espanha

Ditaduras, repressão e resistência

A transição para a democracia no Brasil foi um processo lento, iniciado em 1974, com a redução gradual da repressão à sociedade. As forças oposicionistas queriam conduzir e acelerar o processo, e o regime autoritário, mantê-lo sob controle.

Março 1964: Deposição do presidente eleito João Goulart por meio de ação militar, dando início ao período ditatorial. As lideranças do novo governo promulgaram o Ato Institucional nº 1 (AI-1), que suspendeu as garantias constitucionais, instituiu eleições presidenciais indiretas e permitiu a cassação de mandatos de opositores.

Janeiro 1967: Foi promulgada uma nova Constituição, que institucionalizou o regime ditatorial ao conceder amplos poderes ao Executivo, centralizar a autoridade na União, restringir direitos individuais e estabelecer eleições indiretas para a Presidência da República.

Dezembro 1968: O Ato Institucional nº 5 (AI-5), promulgado pelo governo Costa e Silva, foi o principal instrumento repressivo do regime e resultou em censura, repressão e tortura. A junta militar que sucedeu o presidente aprofundou esse quadro até 1973 com a promulgação dos Atos nº 13 e 14, que instituíram a pena de morte e o banimento do país. Com Emílio Garrastazu Médici, as medidas foram mantidas sob a justificativa de combate à oposição armada.

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    Militares na Esplanada dos Ministérios. Brasília (DF), abril de 1964. Acervo Jornal Movimento/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

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    Ataque à sede da União Nacional dos Estudantes - UNE. Rio de Janeiro (RJ), abril de 1964. Acervo Jornal Movimento/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

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Espanha Trajetória da Redemocratização do Brasil e Espanha

Ditaduras, repressão e resistência

Em 1º de abril de 1939, termina a Guerra Civil espanhola e tem início uma ditadura que se prolonga até 1975. Após a vitória do bando rebelde, Francisco Franco assume todos os poderes do Estado e estabelece um regime que, com o tempo, evolui do totalitarismo de caráter fascista para o autoritarismo.

Para consolidar seu poder, o franquismo aplica uma repressão sistemática. Embora cerca de meio milhão de pessoas se exilem, dentro do país Franco persegue qualquer indivíduo, ideia ou instituição que considere contrária à sua visão ultranacionalista da Espanha, agrupando-os sob o rótulo de “a anti-Espanha”.

No pós-guerra, a repressão atinge sua intensidade máxima: detenções em massa, campos de concentração, expurgos políticos e cerca de 40.000 execuções, amparadas por leis como a de Responsabilidades Políticas (1939) ou a de Repressão do Comunismo e da Maçonaria (1940).

Mesmo assim, surgem formas de resistência. A guerrilha antifranquista dos maquis atua em zonas rurais até a década de 1950 e, a partir da década de 1960, a oposição cresce no âmbito sindical e universitário, com greves e protestos que se intensificam na reta final do franquismo. Embora não consigam derrubar a ditadura, essas ações enfraquecem sua legitimidade e mantêm viva a aspiração democrática em amplos setores da sociedade.

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    Testemunho oral de um ex-combatente republicano que interpreta canções que eram entoadas na frente de batalha, nos campos de concentração e nos campos de refugiados durante a Guerra Civil e o pós-guerra. [s. l.], c. 1975-1985. Arquivo da Fundação Felipe González.

Discurso de Francisco Franco, chefe de Estado espanhol entre 1936 e 1975. Salamanca, c. 1937. Canal do YouTube do Ministério da Cultura do Governo de Espanha.

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O início do declínio dos
regimes autoritários

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O início do declínio dos regimes autoritários

Novembro 1974: A Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio aos militares, foi derrotada nas eleições de 1974 para o Parlamento. O pleito marcou uma guinada política, pois a bancada oposicionista cresceu significativamente na Câmara e no Senado, marcando o início do declínio político e institucional do regime militar. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido da oposição, voltaria a aumentar sua representação no Congresso nas eleições de 1978, embora a Arena continuasse majoritária. Ao longo desse período, o país conheceu uma nova imprensa, um novo sindicalismo, novos movimentos sociais e novos partidos políticos, instituições que organizariam as forças populares rumo à democracia.

  • Artigo de Fernando Henrique Cardoso no semanário Opinião, referência da imprensa alternativa, que circulou entre 1972 e 1977 e reuniu jornalistas e intelectuais de oposição. Fernando Gasparian, amigo pessoal de Cardoso, fundou o jornal motivado pela indignação com o assassinato de Rubens Paiva, ex-deputado federal, por agentes da ditadura. A ideia foi construir um veículo aberto ao debate intelectual e divulgar artigos de publicações inglesas e estadunidenses. CARDOSO, Fernando Henrique. O presidente e os partidos. Opinião, Rio de Janeiro, n. 96, 9 nov. 1974. Debate Institucional, p. 4. Cópia reprográfica. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Abril 1977: O então presidente, general Ernesto Geisel, diante das dificuldades para aprovar no Congresso um projeto de reforma do poder Judiciário, fechou temporariamente essa instituição e mudou a Constituição por decreto. O Pacote de Abril, como ficou conhecido o conjunto de medidas autoritárias promulgadas, causou forte rejeição na sociedade. Entre outras medidas, criou a figura do “senador biônico”, nomeado pelo regime, e aumentou a representação na Câmara dos estados de menor população, onde a Arena tinha mais votos.

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    Durante o governo de Ernesto Geisel, a chamada “abertura política” ocorreu sob o poder das armas. Em meio à prometida transição “lenta, gradual e segura”, o presidente chegou a fechar o Congresso para impor a vontade do governo, evidenciando que o regime instaurado após o golpe só admitiria a redemocratização nos limites definidos pela própria ditadura. JORNAL DA TARDE. Hoje: cassações, recesso, fim do bipartidarismo, reformas... Jornal da Tarde, São Paulo, 1 abr. 1977. Capa.

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O início do declínio dos regimes autoritários

No final da década de 1960, o franquismo começa a mostrar sinais claros de esgotamento. O país vive uma profunda transformação econômica e social que contrasta com o imobilismo político do regime, incapaz de se adaptar aos novos tempos.

A conflitividade social aumenta. Desde 1960, as greves se multiplicam e os sindicatos clandestinos, como as Comissões Operárias (CC.OO.) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), ganham presença defendendo a liberdade sindical e o restabelecimento das liberdades públicas. A resposta do regime é dura: repressão, detenções e processos como o Processo 1001, que leva à prisão a direção da CC.OO. Paralelamente, a universidade se torna um foco de oposição, onde estudantes e parte do corpo docente difundem ideias democráticas e organizam protestos que se conectam com movimentos sindicais e políticos.

A deterioração da saúde de Franco e a divisão interna entre imobilistas e abertistas aceleram o declínio do regime. A isso somam-se a retirada progressiva do apoio da Igreja Católica, a instabilidade gerada pelos atentados do grupo terrorista ETA, os efeitos da crise do petróleo de 1973 e o triunfo da Revolução dos Cravos em Portugal.

A morte do ditador, em 20 de novembro de 1975, abre uma etapa em que manter o autoritarismo já não é viável. A partir desse momento, a transformação política torna-se uma necessidade para garantir a estabilidade do Estado.

  • Nota informativa do PSOE intitulada «Os socialistas perante a mudança», publicada por ocasião da morte de Francisco Franco. [s. l.], 1972-11. Arquivo da Fundação Felipe González.

Reorganização da oposição
e pressões democráticas

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Reorganização da oposição e pressões democráticas

Outubro 1978: Foi revogado o Ato Institucional n° 5, decreto que suspendeu direitos civis e políticos, permitiu a cassação de mandatos e normalizou a censura. A revogação do AI-5 foi, ao mesmo tempo, uma vitória da luta da oposição e do projeto de “distensão lenta, gradual e segura”, proposto pelo presidente, general Ernesto Geisel.

  • A Emenda Constitucional de 13 de outubro de 1978 marcou um passo decisivo no processo de abertura política do regime militar ao determinar a revogação dos atos institucionais, entre eles o AI-5, e introduzir mudanças na Constituição de 1967, como a restauração de garantias institucionais e alterações no sistema político. BRASIL. Emenda Constitucional de 13 de outubro de 1978. Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 15, n. 60, p. 233-250, out.-dez. 1978.

Agosto 1979: Foi sancionada a Lei da Anistia, que beneficiou presos políticos e agentes do regime.

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    Cartaz produzido no contexto das mobilizações pela anistia no Brasil, representando a crítica de setores da oposição e de movimentos sociais que consideravam a medida limitada, uma vez que incluía agentes do Estado envolvidos em violações de direitos durante a ditadura. A aprovação da Lei da Anistia foi apresentada pelo governo de João Figueiredo como parte do processo de abertura política iniciado na gestão de Ernesto Geisel. O cartaz expressa o clima do debate público que acompanhou a campanha pela “anistia ampla, geral e irrestrita”. COMITÊ PRÓ-ANISTIA GERAL NO BRASIL. Cartaz com a inscrição “Liberdade” e reivindicação de anistia para presos políticos no Brasil. [s.d.]. Fundo Alexandre Linares, CEDEM/Unesp.

Dezembro 1979: A aprovação da Lei nº 6.767 dá fim ao sistema imposto pelo Ato Institucional nº 2, que limitava a atividade política aos partidos Arena e MDB. Essa medida, inserida no processo de abertura política, buscava fragmentar a oposição e levou efetivamente ao surgimento de várias agremiações, como PMDB, PDS, PT e PDT.

  • A Lei nº 6.767, sancionada em 20 de dezembro de 1979, integrou o conjunto de medidas da abertura política durante o governo do presidente João Figueiredo. A norma extinguiu o bipartidarismo imposto pelo regime militar e estabeleceu novas regras para a reorganização partidária. A medida abriu caminho para a criação de novas siglas e para a reconfiguração da representação política no país, processo que marcou a transição gradual do regime autoritário para a democracia e preparou o cenário das eleições diretas estaduais de 1982. BRASIL. Lei nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979. Modifica dispositivos da Lei nº 5.682, de 21 de julho de 1971 (Lei Orgânica dos Partidos Políticos), extingue os partidos políticos existentes e estabelece novas normas para organização partidária. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 1979.

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Espanha Trajetória da Redemocratização do Brasil e Espanha

Reorganização da oposição e pressões democráticas

Nos anos 70, organizações operárias como o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) ou o Partido Comunista da Espanha (PCE) iniciam um processo de reconstrução no interior da Espanha. O PCE se destaca como a força mais ativa e com maior capacidade organizativa e militância da oposição antifranquista.

Após a morte de Franco, a oposição democrática intensifica sua presença nas ruas. Os primeiros meses de 1976 são marcados por inúmeras manifestações e protestos reivindicando anistia para os presos políticos. Nesse mesmo ano, consegue-se que todas as forças antifranquistas se agrupem em torno de um órgão comum: a Coordenação Democrática ou Platajunta. Esse órgão defende a ruptura com o Regime e a abertura de um processo constituinte como única via para alcançar a democracia.

A proclamação de Juan Carlos I e a nomeação de Adolfo Suárez como presidente do Governo abrem o caminho da Transição para a democracia. A normalização política passa necessariamente pela integração da oposição antifranquista no sistema. Suárez tenta encontrar uma forma de incorporar a oposição democrática sem provocar uma reação dos setores mais imobilistas do franquismo. Nesse contexto, a Platajunta mantém mobilizações em todo o país reivindicando anistia para os presos políticos e o retorno de todos os exilados.

  • Circular do PSOE dirigida «Aos povos de Espanha» informando sobre a dissolução da Junta Democrática de Espanha e da Plataforma de Convergência Democrática para se fundirem num único órgão denominado Coordenação Democrática. [s. l.], 1976-03-26. Arquivo da Fundação Felipe González.

Avanços institucionais e
reconciliação nacional

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Avanços institucionais e reconciliação nacional

Novembro 1982: Aconteceram eleições diretas para os governos estaduais, e o MDB elegeu governadores nos principais estados brasileiros, se consolidando como a força antagônica ao regime autoritário e estimulando os movimentos sociais pelo voto direto para presidente.

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    Membros do PMDB – como Almino Affonso, FHC, Franco Montoro, Lucy Montoro e Orestes Quércia (na foto, da direita para a esquerda) – em campanha para as eleições estaduais de 1982, as primeiras realizadas de forma direta desde o início do regime militar. A mobilização de lideranças políticas em palanques e comícios simbolizou a retomada da participação popular no processo eleitoral e a reorganização da representação partidária no país, em um momento decisivo da abertura política e da transição democrática. São Paulo (SP), 1982. Foto: Sonia Morgenstern Russo. CARDOSO, Fernando Henrique et al. Membros do PMDB. São Paulo, 1982. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Março 1983: O deputado Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, propôs eleições diretas por meio de uma emenda constitucional que não chegou a reunir as assinaturas suficientes para aprovação, mas abriu caminho para derrotar o regime autoritário.

  • Texto da proposta de emenda constitucional feita pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT). BRASIL. Senado Federal. Proposta de Emenda à Constituição nº 5. Brasília, DF: SenadoFederal, 1983. Proposta do Deputado Dante de Oliveira (Processo nº SF239886429212).

  • O artigo reflete sobre o momento político no processo de redemocratização do país, e FHC questiona a sinceridade do discurso conciliador do governo militar no contexto de abertura, argumentando que declarações de boa vontade não bastavam sem medidas concretas em favor da democratização. CARDOSO, Fernando Henrique. Conciliação? Folha de S.Paulo, São Paulo, 31 mar. 1983. Opinião, p. 2. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

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Avanços institucionais e reconciliação nacional

A oposição antifranquista coloca a anistia para os presos políticos no centro de suas reivindicações, considerando-a essencial para avançar rumo à reconciliação nacional. Em resposta, o governo de Adolfo Suárez aprova, em 1976, uma anistia parcial para crimes de motivação política, que é definitivamente concluída com a Lei de Anistia de outubro de 1977.

Muitos exilados da Guerra Civil retornam à Espanha, tornando-se um símbolo vivo da reconciliação. Claudio Sánchez-Albornoz, presidente do Conselho de Ministros da República no exílio, ao regressar à Espanha em 1976, declara: “Não tenho mais do que uma palavra: Paz. Já nos matamos demais. Entendamo-nos num regime de liberdade, fazendo todos a nossa parte, seja o que for necessário, de um lado e do outro da barricada.”

O governo de Suárez apresenta às Cortes franquistas o projeto de lei para a Reforma Política em novembro de 1976. Seu objetivo é passar “Da lei para a lei”: desmantelar o aparato institucional do franquismo utilizando a própria legalidade vigente, permitindo uma transição para a democracia sem ruptura. O projeto de lei é aprovado pelas Cortes e ratificado posteriormente em referendo, com o apoio de 94,2% dos eleitores. Assim, abre-se caminho para a convocação de eleições gerais por sufrágio universal, direto e secreto. As Cortes resultantes dessas eleições terão a missão de elaborar uma nova constituição.

  • Reflexões de um cidadão, ao regressar do exílio, sobre a democracia em Espanha. Las Palmas de Gran Canaria, 1976-12-14. Arquivo da Fundação Felipe González.

Mobilização popular por
eleições e pluralismo

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Mobilização popular por eleições e pluralismo

Novembro 1983: O comício ocorrido em São Paulo, em frente ao estádio do Pacaembu, marcou o início do movimento Diretas Já: cerca de 15 mil manifestantes clamaram por eleições diretas para presidente da República. Convocado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o evento atraiu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e cerca de 70 entidades da sociedade civil.

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    COMÍCIO pelas eleições diretas, na praça Charles Miller, no Pacaembu. São Paulo, 27 nov. 1983. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Janeiro 1984: A campanha das Diretas Já realizou grandes comícios em Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES) e Campinas (SP) e reuniu 300 mil pessoas na praça da Sé, no centro de São Paulo, na maior manifestação popular ocorrida desde o golpe de 1964.

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    COMÍCIO das Diretas Já!, na praça da Sé. São Paulo, 25 jan. 1984. Acervo Jornal Movimento/Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Março 1985: Tancredo Neves, representante do PMDB, venceu por larga diferença a eleição indireta para a presidência, conduzida em um colégio eleitoral, tendo como adversário Paulo Maluf, candidato à direita pelo Partido Democrático Social (PDS). Mas, em abril, Tancredo caiu doente e morreu, assumindo o seu vice, José Sarney, que se tornou o primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar.

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    O carro que levou o caixão do presidente eleito Tancredo Neves percorreu um itinerário pela cidade de São Paulo para que a população prestasse a sua última homenagem, reafirmando o engajamento com a redemocratização. Cortejo fúnebre do presidente eleito Tancredo Neves. São Paulo, abr. 1985. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

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Mobilização popular por eleições e pluralismo

Após a aprovação, por referendo popular, da Lei de Reforma Política, os partidos democráticos da oposição e o Governo concordam em criar uma comissão negociadora: a Comissão dos Nove. Seu objetivo: estabelecer as condições políticas necessárias para a realização, em junho de 1977, das primeiras eleições livres.

Consciente da importância de integrar a oposição democrática para conferir legitimidade ao processo de Transição, o presidente Adolfo Suárez aceita as reivindicações da Comissão dos Nove. Como resultado, o Governo aprova um Decreto-Lei Real que altera a Lei das Associações Políticas, facilitando o registro dos partidos no Registro do Ministério do Interior.

Paralelamente a esse processo, no início de 1977, a violência política se intensifica: aumentam os atentados e sequestros cometidos por grupos extremistas. Um dos episódios mais graves é o assassinato dos advogados trabalhistas da rua Atocha, em Madri. Um comando de extrema direita mata cinco advogados ligados ao PCE e à CC.OO. A reação do PCE, mantendo a calma e a serenidade diante de uma provocação tão grave, projeta uma imagem de responsabilidade que, aos olhos de muitos cidadãos, reforça sua legitimidade e seu direito à legalização.

Em fevereiro de 1977, o PSOE é legalizado e, em abril, chega a vez do PCE, um passo especialmente conflituoso devido à forte resistência de setores franquistas e de parte das Forças Armadas em aceitar a legalização dos comunistas.

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    Adesivo a favor da legalização de todos os partidos políticos, organizações sindicais e associações. [s. l.], c. 1977. Arquivo da Fundação Felipe González.

Consolidação democrática e
eleições diretas

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Consolidação democrática e eleições diretas

Outubro 1988: Após 20 meses de funcionamento, a Assembleia Nacional Constituinte, convocada pelo presidente José Sarney em 1985, promulgou a chamada Constituição Cidadã, que consolidou como cláusula pétrea o voto direto, secreto, universal e periódico.

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    Fernando Henrique Cardoso, relator da Constituinte, autografa documento ao final do processo de promulgação da Carta. CARDOSO, Fernando Henrique. Assinatura do documento que promulga a Constituição. Brasília, out. 1988. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, compilado até a Emenda Constitucional nº 135/2024. Brasília, DF: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2025.

Novembro 1989: Ocorre a primeira eleição direta desde 1960, considerada o marco final do processo de redemocratização do país. Fernando Collor de Mello (PRN) venceu no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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    Cédulas eleitorais utilizadas no primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais de 1989, quando ainda não se pensava em urna eletrônica. A do primeiro turno apresenta um número superlativo de candidaturas e uma diversidade de matizes ideológicas, com nomes à esquerda, ao centro e à direita do espectro político, reflexo da demanda da população pelo voto direto e do desejo de múltiplas representações. A cédula do segundo turno registra a disputa final entre o candidato à esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, e o candidato à direita, Fernando Collor de Mello. CÉDULAS eleitorais no primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais. 1989. 2 cópias reprográficas. Acervo Biblioteca Digital do Tribunal Superior Eleitoral.

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Espanha Trajetória da Redemocratização do Brasil e Espanha

Consolidação democrática e eleições diretas

Em 15 de junho de 1977, realizam-se as primeiras eleições livres após mais de quarenta anos. A participação é de 78,8%, e a União do Centro Democrático (UCD), de Adolfo Suárez, vence com 165 cadeiras. Em segundo lugar ficou o PSOE de Felipe González, com 118 deputados, juntamente com outras forças com menor representação, como o PCE, a Aliança Popular ou o Partido Socialista Popular.

Essas eleições deram início à Legislatura Constituinte. O Rei incentivou os novos representantes a elaborar uma Constituição que estabelecesse um marco legal para o desenvolvimento de um Estado democrático.

Sete deputados de diferentes partidos — conhecidos como os Pais da Constituição — redigem um anteprojeto que é debatido ao longo de 1977 e 1978. Finalmente, o texto é aprovado pelas Cortes Gerais e ratificado no referendo popular de 6 de dezembro de 1978, com 87,78% dos votos a favor.

A Constituição de 1978 torna-se a primeira carta magna espanhola fruto do consenso entre diversas forças políticas. Define a Espanha como um “Estado social e democrático de direito”, estabelece a monarquia parlamentar como forma política do Estado e reconhece um amplo catálogo de direitos e liberdades fundamentais.

Com a sua aprovação, encerra-se o processo de Transição para a democracia. A partir de então, a jovem democracia espanhola enfrenta importantes desafios para se consolidar: o golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981, a alternância política no Governo, a descentralização autonômica ou a luta contra o terrorismo.

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    Adesivo a favor do referendo de ratificação da Constituição de 1978: «Referendo nacional 6 de dezembro. Dia da Constituição». [s. l.], c. 1978. Arquivo da Fundação Felipe González.

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    Discurso de Felipe González num comício por ocasião do referendo para a ratificação da Constituição espanhola. [s. l.], novembro de 1978. Arquivo da Fundação Felipe González.

Exposição virtual

Dois líderes,
dois países,

um compromisso
democrático

Uma iniciativa conjunta

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