Liderança e

construção partidária

Liderança e construção partidária

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    Reeleição para o Senado e criação de um partido focado na social-democracia

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    Renovação interna e ideológica: construir uma alternativa social-democrata

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Fernando
Henrique Cardoso

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Henrique Cardoso

Biografia

Fernando Henrique elegeu-se senador constituinte com a segunda maior votação do país. Tornou-se líder do PMDB no Congresso, o partido de maior bancada, e relator adjunto da poderosa Comissão de Sistematização na Assembleia Nacional Constituinte.

Na Assembleia, defendeu a adoção do parlamentarismo, votou a favor do restabelecimento das liberdades democráticas e do direito de greve. Votou também a favor da reforma agrária e da criação do Sistema Único de Saúde (SUS). No capítulo econômico, adotou posição ambivalente, ora votando com as correntes favoráveis aos monopólios estatais, como no caso do petróleo e do gás, ora se abstendo. Seu governo seria bem mais liberal na área econômica do que fariam prever seus votos na Assembleia Nacional Constituinte. 

Nos embates políticos, Fernando Henrique foi um dos protagonistas, sobretudo em torno da questão do sistema de governo (presidencialismo ou parlamentarismo) e do tempo de mandato do presidente Sarney (se de 4 ou 5 anos). Tais choques agravaram as divergências dentro do PMDB. A maioria aliou-se a Sarney em favor do presidencialismo e do mandato mais longo. A minoria viu nessa aliança a descaracterização definitiva do partido que havia combatido a ditadura. Nesse contexto, Fernando Henrique e outras lideranças, como Mário Covas, também cassado pelo regime autoritário, e José Serra, companheiro de Cardoso no exílio do Chile, decidiram fundar um partido. 

Criado ao final da Assembleia Nacional Constituinte, o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) representou uma centro-esquerda sintonizada com os novos ventos do mundo. Vivia-se a crise final do socialismo e a afirmação do capitalismo liberal em escala global. O programa do partido combinava propostas tipicamente social-democratas, visando à construção das bases de um Estado do Bem-Estar Social fiscalmente sustentável com outras características de tendência liberal, com vistas ao aumento da eficiência da economia brasileira por meio da integração competitiva na economia internacional, que se globalizava. Defendia ajuste fiscal estrutural como condição necessária para combater a inflação galopante. No plano político, o PSDB surgiu como um partido favorável ao parlamentarismo, por atribuir ao presidencialismo grande responsabilidade nas sucessivas crises políticas que puseram fim à democracia vigente entre 1946 e 1964, ano do golpe militar. 

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Fotografia

Eleições municipais de 1985

Na foto tomada nas eleições municipais de 1985 em São Paulo, alinham-se os perfis de três líderes do PMDB, figuras históricas da luta contra a ditadura: Fernando Henrique Cardoso, Ulysses Guimarães e Franco Montoro. Foto de Sonia Morgenstern Russo. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Documento com áudio

Bandeira

Bandeira do PSDB com representação da mascote do partido e assinada por apoiadores. Ceará, 1994. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Fotografia

Primeiro Congresso Nacional

Primeiro Congresso Nacional do Partido da Social Democracia (PSDB), em Brasília (DF), realizado entre 31 de março e 1º abril de 1989, que contou com a presença de Euclides Scalco, Franco Montoro, Fernando Henrique, Mário Covas, Octávio Elísio e Waldir Trigo, fundadores da agremiação. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Documento com áudio

Pronunciamento de Fernando Henrique Cardoso

CARDOSO, Fernando Henrique. Pronunciamento no Congresso do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados, Brasília, abr. 1989. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Felipe González

Felipe González

Biografia

A despeito da timidez de Felipe González, saltam aos olhos suas qualidades de liderança. Sua oratória e capacidade de persuasão fazem dele um líder natural do “PSOE renovado”. Em pouco tempo, González passa de promessa a referência inconteste dentro do partido.

Em 1974, durante o XXVI Congresso do PSOE em Suresnes, González é eleito secretário-geral. Promove uma estratégia baseada na ruptura democrática do regime, na reunificação das forças socialistas sob a sigla do PSOE e na coordenação com outras forças democráticas por meio da Plataforma de Convergência Democrática. Defende, ao mesmo tempo, a autonomia do partido e a progressiva conquista de parcelas de liberdade pela via dos fatos.

Sua liderança fortalece o PSOE: de apenas 3 mil militantes em 1974, o partido passa a ser a primeira força política da esquerda após as eleições gerais de 1977, obtendo mais de cinco milhões de votos. Sua liderança é reconhecida tanto em nível nacional como por líderes europeus da social-democracia, como Willy Brandt, Helmut Schmidt, Olof Palme e François Mitterrand.

A liderança de González é posta à prova em 1979, quando propõe abandonar o marxismo e adotar o socialismo democrático como ideologia oficial do PSOE, defendendo que “é preciso ser socialista antes de ser marxista”. A rejeição inicial à proposta provoca sua renúncia, mas, poucos meses depois, um congresso extraordinário aprova sua proposta, e González volta a ocupar a secretaria-geral do PSOE, consolidando definitivamente sua liderança.

Como secretário-geral e, posteriormente, como presidente do Governo, González mantém um diálogo constante com militantes e cidadãos através de centenas de cartas, que lhe permitem conhecer em primeira mão os seus anseios, propostas e aspirações, fortalecendo assim sua ligação com a sociedade e seu projeto político.

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Fotografia com áudio

Willy Brandt com Felipe González durante o XXVII Congresso do PSOE

Madri, 1976. O PSOE — ainda clandestino — celebra seu XXVII Congresso sob o lema “Socialismo é liberdade”. O partido procura apoio internacional convidando os líderes socialistas europeus. Entre eles, Willy Brandt, presidente do Partido Social-Democrata alemão e da Internacional Socialista, responde ao convite. Madri, 1976-12-05 / 1976-12-08. Arquivo da Fundação Felipe González.

Documento

Artigos jornalísticos sobre Felipe González, primeiro secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol

Um amigo de infância compila recortes de imprensa sobre Felipe González. Entre eles, a capa da revista Guadiana. Sob o título “Sem liberdade não há pacto”, o secretário-geral do PSOE reivindica o papel do partido como “coluna vertebral para articular o socialismo” na Espanha. Sevilha, 1974-10-29 / 1977-07-14. Arquivo da Fundação Felipe González.

Documento

Poema dedicado a Felipe González por um cidadão intitulado “Socialismo y libertad”

“Para Felipe González Márquez, futuro presidente do Conselho de Ministros socialista, com o abraço do teu companheiro.” Com essa mensagem, um militante socialista de Valência encerra a carta na qual remete um poema dedicado ao secretário-geral do PSOE: “Se no abismo do ontem se afundava a impunidade, a Espanha voltou a ter socialismo e liberdade”. Valência, 1980-06-01. Arquivo da Fundação Felipe González.

Fotografia com áudio

Felipe González discursa em um comício realizado por ocasião das eleições gerais de 1977

Em 15 de junho de 1977, a Espanha celebrou suas primeiras eleições democráticas em mais de quarenta anos. O PSOE obtém um resultado histórico: com 118 deputados, o partido consolida-se como a força hegemônica da esquerda espanhola e Felipe González torna-se líder da oposição. [s. l.], c. 1977. Arquivo da Fundação Felipe González.

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