Fernando Henrique Cardoso
Encerrado o segundo mandato presidencial, Fernando Henrique Cardoso não se afastou da vida pública. Deixou, isso sim, a vida partidária. Criou uma fundação, a Fundação FHC, com o duplo objetivo de ser um centro de memória e pesquisa, lastreado pelo denso arquivo acumulado ao longo de sua trajetória intelectual e política, e um centro de estudos e debates sobre os desafios contemporâneos do desenvolvimento e da democracia. Escreveu vários livros, entre eles O xadrez internacional e a social-democracia (Paz e Terra, 2010), em que analisa os impactos das transformações globais sobre o Brasil e a América Latina; Crise e reinvenção da política no Brasil (Companhia das Letras, 2018), no qual aponta caminhos para a superação do desencanto com a política; e Um intelectual na política: Memórias (Companhia das Letras, 2021), um balanço de sua trajetória na vida pública.
Afastado do dia a dia da política, Cardoso continuou a ser uma voz respeitada dentro e fora do país, pela sua dupla condição de intelectual público e ex-presidente. Manteve-se ativo no debate político nacional escrevendo uma coluna mensal para dois dos principais jornais do país, O Globo e O Estado de S. Paulo. Seus artigos foram regularmente publicados por jornais estrangeiros, como The New York Times.
Sua presença internacional se expressou em contribuições efetivas para o enfrentamento dos desafios contemporâneos. Presidiu, com o ex-presidente do México Ernesto Zedillo, a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia (CLADD), que propôs a descriminalização de entorpecentes em oposição à política de guerra, que na visão da Comissão não resulta em redução do consumo, mas contribui para o aumento da violência e põe em xeque o Estado Democrático de Direito. Foi presidente do Painel de Pessoas Eminentes sobre Relações entre a ONU e a Sociedade Civil, criado pelo então Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Participou das organizações Club de Madrid e The Elders.
Em reconhecimento ao seu trabalho como presidente, recebeu do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 2002, o prêmio Mahbub ul Haq Award, economista paquistanês conhecido pela elaboração do conceito de desenvolvimento humano. Em 2012, foi agraciado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos com o prêmio John W. Kluge Prize for Achievement in the Study of Humanity, em reconhecimento a sua obra como sociólogo.