De suplente a protagonista:

a trajetória política inicial

De suplente a protagonista: a trajetória política inicial

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  • Fernando Henrique Cardoso

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    Henrique Cardoso

    Da eleição para o Senado à reconquista da democracia com direito a nova Constituição

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    Felipe
    González

    De Sevilha a Suresnes: a trajetória decisiva de Isidoro

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Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso

Biografia

Em 1974, o líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição admitido pela ditadura militar, pediu a Fernando Henrique que o Cebrap – centro de pesquisa fundado por Cardoso – se encarregasse de elaborar o programa para a eleição daquele ano. Deu-se a primeira conexão mais direta de Cardoso com a política partidária. Mas o batismo de fogo ocorreu em 1978, quando o MDB quis reforçar a representação de “candidatos da sociedade civil” na chapa do partido para as eleições legislativas. Fernando Henrique Cardoso foi então escolhido para disputar uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo.

Sob o lema “Democracia para mudar”, a campanha mobilizou não apenas artistas, intelectuais e estudantes, mas também líderes sindicais que começavam a despontar, como Luiz Inácio da Silva, o Lula. Com mais de 18% dos votos válidos, Cardoso foi o segundo candidato mais votado ao Senado, tornando-se suplente do senador eleito, Franco Montoro, do MDB. 

Em 1979, preocupado com a ascensão do MDB, o governo impôs o pluripartidarismo, o que era um desejo da oposição e, ao mesmo tempo, uma forma de dividi-la. Fernando Henrique e Lula, entre outras lideranças, discutiram a possibilidade de se reunirem em um só partido. Mas não houve convergência programática.

Em 1983, Cardoso tornou-se senador. No ano anterior, as oposições haviam vencido as eleições para o governo dos principais estados do país, um marco no processo de redemocratização. Em São Paulo, venceu o senador Franco Montoro, e sua saída deu posse ao suplente FHC.  

Apesar de seu envolvimento crescente com a política partidária, Cardoso continuou à frente do Cebrap até assumir sua cadeira no Senado. Ao longo desses anos, deu continuidade à sua produção intelectual. O sociólogo passou a refletir cada vez mais sobre a política, com livros e ensaios dedicados, em sua maioria, à análise do regime autoritário, às relações entre os partidos e a sociedade civil e à transição democrática. A transição para a democracia na Espanha chamou a sua atenção, como fica claro no prefácio escrito para o livro A transição que deu certo: o exemplo da democracia espanhola, de autoria coletiva.

O regime autoritário entrou em sua fase final com a campanha das Diretas Já, que mobilizou o país, em 1984, em comícios multitudinários nas principais capitais, reclamando a volta das eleições diretas para a presidência da República. A mobilização da sociedade, porém, não se traduziu em votos suficientes no Congresso para emendar a Constituição. 

Diante da derrota, a oposição se dividiu. Sob a liderança do maior partido, o MDB, agora denominado PMDB, a maioria decidiu lançar o senador Tancredo Neves, governador do estado de Minas Gerais e político moderado, para disputar a eleição presidencial indireta. Fernando Henrique foi um dos que atuou nos bastidores para fortalecer a unidade da oposição. O Partido dos Trabalhadores (PT) não aderiu à ideia de eleição indireta.

Somando os votos da oposição e de dissidentes do partido do governo, Tancredo Neves venceu por larga margem no Colégio Eleitoral, mas adoeceu e foi hospitalizado na véspera de sua posse. Morreu pouco mais de um mês depois. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente eleito, José Sarney, que vinha do partido do governo. Já em seu primeiro ano de mandato, Sarney convocou uma Assembleia Nacional Constituinte, a ser eleita no pleito de 1986 para o Congresso, e legalizou os partidos de esquerda até então na clandestinidade. O país reconquistava a democracia, mas a crise econômica não dava trégua. Ainda seriam necessários quase dez anos para debelar a inflação crônica, alta e crescente. Nisso, Fernando Henrique Cardoso teria um papel decisivo.

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Fotografia

Lula e FHC

Luiz Inácio da Silva e Fernando Henrique Cardoso, então candidato ao Senado, em reunião no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, então presidido por Lula. São Paulo (SP), 1978. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Documento

É a hora de se avançar a democracia

Entrevista de Fernando Henrique Cardoso concedida a Carlos Marchi, na qual ele analisa o momento político e aponta as instâncias efetivamente capazes para promover o avanço. CARDOSO, Fernando Henrique. “É a hora de avançar a democracia”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 1983. Especial, pp. 1-2. Entrevista concedida a Carlos Marchi. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Fotografia com áudio

Nas manifestações de rua

Manifestação de rua no movimento das Diretas Já!. São Paulo (SP). 1984. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Fotografia

Santinho político

Panfleto de propaganda eleitoral, espécie documental informalmente conhecida como “santinho”, com a imagem do candidato à presidência, Tancredo Neves, e o apoiador FHC, então senador suplente. Belo Horizonte (MG), 1985. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Documento com áudio

Apresentação de FHC no livro A transição que deu certo: o exemplo da democracia espanhola.

CARDOSO, Fernando Henrique. “Espelho convexo” (Apresentação). In: FUENTESQUINTANA, Enrique et al. (org.). A transição que deu certo: o exemplo da democracia espanhola. São Paulo: Trajetória Cultural, 1989. pp. 9-14. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Felipe González

Felipe González

Biografia

A ascensão de Felipe González no seio do PSOE é irrefreável: em 1965, entrou para o Comitê Provincial de Sevilha e, em 1969, incorporou-se ao Comitê Nacional. Paralelamente, o partido atravessava um processo de profunda divisão interna.

Por um lado, está o chamado “PSOE histórico”, composto por socialistas veteranos no exílio e liderado por Rodolfo Llopis Ferrándiz, secretário-geral do partido entre 1944 e 1972.

Por outro lado, o “PSOE renovado”, composto por uma nova geração de socialistas que não viveram a Guerra Civil e que, a partir do interior de Espanha, procuravam revitalizar um partido cuja direção, atuando no exílio, estava desligada da realidade do país. Com o tempo, Felipe González consolidou-se como a principal referência e líder desse setor.

A divisão interna acabou provocando uma ruptura geracional que se desenrolou em três etapas:

Em 1970, Felipe González participou do XXIV Congresso do PSOE, realizado em Toulouse. Com apenas 28 anos, fez um discurso crítico à gestão de Rodolfo Llopis, destacando-se pela sua oratória e capacidade de persuasão. Depois desse Congresso, González foi eleito membro da Comissão Executiva do PSOE.

No XXV Congresso do partido, realizado em agosto de 1972 em Toulouse, o “PSOE renovado” conseguiu modernizar a estrutura da agremiação ao criar uma direção colegiada, integrada por dirigentes no exílio e militantes que residiam na Espanha. Felipe González passou a integrar a Comissão Executiva do PSOE, assim como outros renovadores como Nicolás Redondo ou Pablo Castellano.

Dois anos mais tarde, em outubro de 1974, o XXVI Congresso, celebrado na localidade francesa de Suresnes, elegeu definitivamente Felipe González como secretário-geral do PSOE. Encerrou-se assim o processo de cisão geracional entre o “PSOE histórico” e o “PSOE renovado” e iniciou-se uma nova etapa em que o partido se preparou para enfrentar a última fase do regime franquista.

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Documento com áudio

Entrevista concedida a Julián Antonio Ramírez por Felipe González e outros membros da Comissão Executiva do PSOE após a sua eleição

Em 1974, o PSOE celebrou seu XXVI Congresso em Suresnes. Felipe González foi eleito secretário-geral, e os microfones da Rádio Paris entrevistaram o novo líder socialista, que explicou os acordos e as linhas políticas adotadas no Congresso. Suresnes, 1974-10-13. Arquivo da Fundação Felipe González.

Documento com áudio

Ata do XXVI Congresso do PSOE

Os delegados do PSOE reuniram-se em Suresnes para celebrar o XXVI Congresso do partido, o décimo terceiro no exílio. Esta ata registra o desenrolar do Congresso: as críticas à gestão da Comissão Executiva que terminava sua gestão, a aprovação das propostas e a votação que elegeu “Isidoro” como Primeiro Secretário do PSOE. Suresnes, 1974-10-13. Arquivo da Fundação Felipe González.

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