Fernando Henrique Cardoso
O período do exílio foi fundamental para a projeção mundial do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. De 1964 a 1967, ele permaneceu no Chile. Entre 1967 e 1968, residiu na França, como professor de teoria sociológica na Universidade de Nanterre. A experiência das manifestações estudantis de Maio de 1968 deixou uma marca profunda na reflexão de Fernando Henrique, tornando-o mais atento a insatisfações pouco visíveis e pontuais, mas capazes de deflagrar movimentos sociais bruscos, de alta voltagem política.
No Chile, escreveu, em coautoria com o sociólogo Enzo Faletto, o seu livro mais conhecido, Dependência e desenvolvimento na América Latina, editado em dezenas de línguas, em quase todos os continentes. E que provocou muita polêmica. No plano intelectual, a esquerda ortodoxa enxergou na obra uma diluição da verdadeira teoria da dependência e, no plano político, viu uma capitulação ao imperialismo. Proporcional à polêmica, na qual Cardoso se engajou escrevendo vários artigos nos anos seguintes, foi a projeção internacional que o livro lhe trouxe, a ponto de conduzi-lo, em 1982, à presidência da Associação Internacional de Sociologia.
No período do exílio, FHC pouco voltou ao Brasil. Uma das vezes foi em agosto de 1965, quando os militares o autorizaram a permanecer 24 horas no país para acompanhar o velório e sepultamento de seu pai, Leônidas Cardoso, general nacionalista e deputado federal pelo PTB paulista entre 1955 e 1959. Em 1968, quando retornou para disputar e vencer o concurso para professor catedrático, ele teve os direitos políticos cassados e foi aposentado compulsoriamente da universidade pelo Ato Institucional n. 5, o mais duro da ditadura.
Mesmo assim, decidiu permanecer no Brasil. Com outros professores, alguns também cassados, criou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que se tornou um polo de resistência intelectual ao regime autoritário.